Adoro te devote

Por Hugo Langone 

Queridos leitores,

Em junho celebramos a solenidade de Corpus Christi e nesta semana decidimos dedicar a Quadrante ao corpo Eucarístico de Cristo para relembrar, entre outras coisas, que a humildade de Cristo não encontrou termo em sua Encarnação. O Senhor foi além: quis permanecer próximo a nós, em corpo, sangue, alma e divindade, num simples pedacinho de pão. Em cada sacrário do mundo, vemos cumprida a promessa: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos.”

Este tema Eucaristia é também ocasião para recordarmos e entoarmos um grande tesouro da arte ocidental: o hino Adoro te devote, que São Tomás de Aquino compôs especialmente para o Senhor sacramentado. Nele, a riqueza teológica do doutor angélico mescla-se ao espanto saboreado diante deste grande mistério da fé; como resultado, nosso coração se abrasa numa fervorosa súplica: “Jesus, a quem agora contemplo escondido, rogo-Vos se cumpra o que tanto desejo: que, ao contemplar-Vos face a face, seja eu feliz vendo a vossa glória”.

Meus amigos, penso que essa seja uma ocasião oportuna para recordar a recente publicação de nosso São Tomás em poucas palavras, de Jean-Pierre Torrell. E por quê? Porque, além de ser a melhor apresentação que temos da vida e do pensamento do grande mestre medieval, o autor também dedica alguns de seus parágrafos ao belíssimo Adoro te devote, que é então contextualizado e destrinçado com simplicidade.

Eu vos adoro devotamente, ó Divindade escondida,
Que verdadeiramente oculta-se sob estas aparências,
A Vós, meu coração submete-se todo por inteiro,
Porque, vos contemplando, tudo desfalece.

A vista, o tato, o gosto falham com relação a Vós
Mas, somente em vos ouvir em tudo creio.
Creio em tudo aquilo que disse o Filho de Deus,
Nada mais verdadeiro que esta Palavra de Verdade.

Na cruz, estava oculta somente a vossa Divindade,
Mas aqui, oculta-se também a vossa Humanidade.
Eu, contudo, crendo e professando ambas,
Peço aquilo que pediu o ladrão arrependido.

Não vejo, como Tomé, as vossas chagas
Entretanto, vos confesso meu Senhor e meu Deus
Faça que eu sempre creia mais em Vós,
Em vós esperar e vos amar.

Ó memorial da morte do Senhor,
Pão vivo que dá vida aos homens,
Faça que minha alma viva de Vós,
E que à ela seja sempre doce este saber.

Senhor Jesus, bondoso pelicano,
Lava-me, eu que sou imundo, em teu sangue
Pois que uma única gota faz salvar
Todo o mundo e apagar todo pecado.

Ó Jesus, que velado agora vejo
Peço que se realize aquilo que tanto desejo
Que eu veja claramente vossa face revelada
Que eu seja feliz contemplando a vossa glória. Amém.

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