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Doutoras da Igreja Católica: quem são as 4 mulheres com esse título

6 min de leitura

A Igreja Católica reconhece quatro mulheres como Doutoras da Igreja Universal:
Teresa de Ávila, Catarina de Sena, Teresinha de Lisieux e Hildegarda de Bingen.
O título de Doutor da Igreja é concedido pelo Papa a santos que deixaram uma contribuição excepcional para a compreensão da doutrina católica — e, até hoje, apenas 4 das 37 pessoas que o receberam são mulheres.


Na história da Igreja, desde os tempos antigos até os modernos, existiram mulheres que se destacaram por sua dedicação ao Reino de Deus e por uma vida de santidade — místicas, religiosas, leigas, mães. Muitas entraram no rol dos santos e suas histórias ganharam voz e admiradores.

Entre as inúmeras mulheres que se tornaram santas, algumas receberam o título de “Doutora da Igreja Universal” por seu notório saber teológico: porque deixaram uma contribuição fundamental para a compreensão de algum ponto da doutrina da Igreja e sua vivência.

Quem são as mulheres doutoras da Igreja Católica?

Até hoje, a Igreja Católica reconheceu 37 doutores, entre os quais quatro são mulheres. Conheça cada uma delas.

1. Teresa de Ávila (1515–1582)

Teresa de Jesus nasceu em Ávila, na Espanha, e recebeu o título de Doutora da Igreja em 1970, pelo Papa Paulo VI — tornando-se a primeira mulher a receber essa distinção na história da Igreja.

Na missa em que concedeu o título, Paulo VI descreveu Teresa como uma mulher excepcional que irradiou ao mundo uma vitalidade humana e um dinamismo espiritual incríveis: reformadora, fundadora de uma Ordem religiosa, escritora genialíssima, mestra de vida espiritual, incomparável na contemplação e infatigável na ação.

O que determinou o título foi sua singular contribuição como mãe e mestra da vida espiritual — a “luz mais viva e penetrante” que deixou como herança para toda a Igreja.

“A oração mental é simplesmente um modo amável de tratar que muitas vezes empregamos ao falar a sós com Aquele que sabemos que nos ama.”

— Teresa de Jesus, Vida

2. Catarina de Sena (1347–1380)

A religiosa dominicana Catarina de Sena nasceu na Itália e também foi proclamada Doutora da Igreja por Paulo VI em 1970 — pela “peculiar excelência de sua doutrina”, nas palavras do próprio Papa.

Catarina ficou marcada pela atuação em defesa da Igreja e do Papa, especialmente nos fins da Idade Média, quando inúmeros conflitos surgiram contra o Papado. Viajando de cidade em cidade, interveio para o restabelecimento da paz e dirigiu exortações a cardeais, bispos e sacerdotes — sempre com humildade e respeito.

“Ó Deus eterno, recebe o sacrifício da minha vida em benefício do Corpo Místico da Santa Igreja. Eu não tenho outra coisa para dar senão o que Tu me deste.”

— Catarina de Sena, oração em seu leito de morte

3. Teresinha de Lisieux (1873–1897)

Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face foi proclamada Doutora pelo Papa São João Paulo II em 1997. Nasceu na França e viveu apenas 24 anos — o que tornou o título motivo de reflexão sobre seu próprio significado, já que Teresinha nunca frequentou uma universidade nem pôde dedicar-se a estudos sistemáticos.

João Paulo II respondeu a essa questão com clareza: o ardente itinerário espiritual de Teresinha demonstra muita maturidade, e as intuições da fé expressas em seus escritos são tão vastas e profundas que a tornam digna de estar entre os grandes mestres espirituais da Igreja.

“A única finalidade das nossas orações e dos nossos sacrifícios é ser apóstolo dos apóstolos, rezando para eles enquanto evangelizam as almas.”

— Teresinha de Lisieux, Manuscrito, n. 56

4. Hildegarda de Bingen (1098–1179)

A mística e monja beneditina alemã foi proclamada Doutora pelo Papa Bento XVI em 2012 — a mais recente mulher a receber essa distinção. Além de teóloga e mística, Hildegarda deixou obras nas áreas da medicina e das ciências naturais, tornando-se uma das personalidades femininas mais fascinantes da Idade Média.

Ao conceder o título, Bento XVI destacou a atualidade perene de seu pensamento: “A sua importância supera decididamente os confins de uma época e de uma sociedade, e não obstante a distância cronológica e cultural, o seu pensamento manifesta-se de atualidade perene.”

Bento XVI também sublinhrou a importância de Hildegarda para as mulheres na Igreja: “A presença da mulher na Igreja e na sociedade é iluminada pela sua figura, tanto na ótica da pesquisa científica como na da ação pastoral.”

“Deus, que fez todas as coisas por Sua vontade, criou-as para conhecimento e honra de Seu nome — não somente para mostrar nelas as coisas visíveis e temporais, mas para manifestar nelas as coisas invisíveis e eternas.”

— Hildegarda de Bingen

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Fonte: Vatican.va

Perguntas frequentes sobre as doutoras da Igreja Católica

Quantas mulheres são doutoras da Igreja Católica?

Quatro. De um total de 37 Doutores da Igreja reconhecidos até hoje, apenas quatro são mulheres: Teresa de Ávila, Catarina de Sena, Teresinha de Lisieux e Hildegarda de Bingen.

O que significa ser Doutor da Igreja?

O título de Doutor da Igreja é concedido pelo Papa a um santo ou santa que, além de uma vida exemplar de santidade, deixou uma contribuição excepcional e reconhecida para a compreensão da doutrina católica. Os critérios são: santidade de vida, notória doutrina e declaração formal pela Igreja.

Quem foi a primeira mulher doutora da Igreja?

Teresa de Ávila foi a primeira mulher a receber o título de Doutora da Igreja, em 1970, junto com Catarina de Sena — ambas proclamadas pelo Papa Paulo VI no mesmo ano.

Qual foi a doutora da Igreja mais recente?

Hildegarda de Bingen, proclamada pelo Papa Bento XVI em 2012, é a Doutora da Igreja mais recente — e a única do período medieval entre as quatro mulheres com esse título.

Teresinha de Lisieux é doutora da Igreja mesmo sem ter estudado teologia?

Sim. João Paulo II, ao proclamá-la Doutora em 1997, explicou que o título não exige formação acadêmica formal, mas reconhece a profundidade e a relevância do ensinamento espiritual. As intuições de fé de Teresinha, expressas em seus escritos, foram consideradas tão vastas e profundas que a tornam digna de estar entre os grandes mestres espirituais da Igreja.

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